Amanheceu um sábado nostálgico. Daqueles que a gente acorda de um jeito que parece que comeu borboletas e daqui a pouco aquele bater asas interno vai nos levar por aí, flutuando. Hoje amanheci com vontade de falar outra língua, de virar do avesso, fazer amizade com a gravidade. Querido, o que acontece quando as lagartas fazem metamorfose assim dentro da gente? Será que a gente alcança as nuvens? Será que faz cócegas? E todas as manhãs tem assim essa cor? Eu que achava que meus ponteiros estavam errados, amanheci sem relógio. O tempo parou e congelou nessa manhã de sábado. Manhã flutuante. Manhã que me leva, no meu baticum interno. São as asas...
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Do Amor
Amor é quando você esquece o seu umbigo e quer plantar alegria no quintal de outro. Até nos dias que doem. Amor é quando você quer beijar o machucado que você mesmo fez e se arrependeu (porque dói em você). Amor é quando você acorda com vontade de comer jujubas, mesmo que as tenha no cardápio de todo dia. Amor é quando você sente cócegas e sente muita, muita vontade de fazer também. Amor é quando transborda de coisa boa. Amor é quando você fica bem, mesmo com todos os problemas. É fortaleza. Amor é companheiro, anda de mãos dadas. Acho mesmo que amor casou com a felicidade, mesmo se encontrando de vez em quando com a tristeza pra umas noitadas (os dois juntos, claro). Amor é estar junto. E eu juro que eu ainda acredito que amor é para sempre! Às vezes eu penso que amar é derramar um pouco da gente em outra pessoa... Amar de verdade deve ser virar um, então.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Querido,
Preciso urgentemente contar sobre as descobertas. Acredita que dezembro ta chegando? Ele é que traz as chuvas. Deixa um barulho engraçado na janela do meu quarto. Dissolve as lágrimas. Dispensa o uso de protetor solar. Traz fermento para flores. Cria poças. Faz todo mundo andar por aí com guarda chuva pendurado no braço. Deixa o verde mais verde. Borrifa no ar perfume de saudade. Faz o povo falar “êta céu bunito pra chuver!”. Danado ele né? Ah, querido, eu não queria ser assim tão açúcar pra derreter em dezembro...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Então entrei novamente por aquela porta envelhecida pelo tempo e pelo fogo. Ele fechou a janela e acendeu seu cigarro. Logo logo o quarto era só fumaça. Eu acendi o meu. Só um. Mas ele não parou. E por mais que eu quisesse, aquela fumaça não causava incômodo. Eu podia ver o quanto ele é ansioso. E falava. E eu mergulhada em mim. E nele. Naquela boca movendo, falando, tragando. A barba maior. Eu me sentia bem por saber que eu não sou a única a amar assim tão desesperadamente. Um cigarro atrás do outro. Eu amo tanto essa ânsia. Ele parou. Pegou o papel que embrulhava o bombom. Lá vem ele de novo com essa mania de me dar corações de papel. Eu já disse que adoro manias? Adoro. Mas nesse não vou por data. Esse que seja eterno. Que seja reticências. O quarto, a fumaça, a barba, o progressivo que tocava no dvd, as conversas filosóficas, as leituras, o mergulhar e, melhor ainda, aquele amor desesperado que só nós dois e nunca mais.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Reticências
Você. com. essa. mania. de. colocar. pontos. entre. nós. e. eu. querendo. tanto. que. você. seja. três. pontos. juntos.
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