sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Dia de chuva



Quando eu era criança, certo dia estava passeando com minha mãe. Estávamos dentro do carro e chovia forte. Eu era muito pequena mesmo. Minha memória não é muito boa, mas esse dia me marcou. Minha mãe estava perdida, não lembrava mais em que rua entrar. As ruas estavam cheias de água. Eu conseguia ficar em pé no banco de trás, bem no meio entre os dois bancos da frente, sabe? E então minha mãe pensou alto “Onde eu entro mesmo? Será que é aqui à direita?” E eu respondi com certeza “Ora mamãe, é só esperar a setinha aparecer!”. Você deve estar rindo nesse momento, igual a minha mãe há não sei quantos anos. Mas eu não. Como deve mesmo ser difícil ser adulto! Eu tenho que decorar as ruas? Pagar as contas? Namorar? É sério, quando eu era criança eu achava que não ia conseguir namorar. Como é que eu ia sair do meu mundo, com as minhas bonecas e ter que bater papo com um menino? Ou melhor, um homem! Eu, definitivamente, não queria virar adulta. E agora, que virei, que consegui namorar e decorar meus caminhos, ainda assim me deparo com aquela rua cheia de água e a dúvida da esquerda ou direita. “Siga seu coração”. Você já parou pra pensar no coração? O coração é difícil de seguir. Tem um monte de válvulas, artérias e veias. Sem contar que ele não para: é sempre tum ta tum ta. É difícil. Mas, sabe? Não importa quanto tempo você fique parada. A setinha só vai aparecer quando você apertar. E o máximo que vai acontecer é você ter que fazer uma manobra e voltar atrás.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Metade de mim é vulcão. A outra metade é calmaria. Às vezes fica difícil saber quem é quem. Ou quem eu quem.

domingo, 10 de março de 2013


Querido,

Como a vida passa assim tão rápido? Ontem mesmo não era sábado? Não era dia 1? Ontem mesmo não joguei terra com cuidado em cima da sementinha? Não foi ontem que plantei bananeira, que brinquei de esconde-esconde, que tomei guaraná e comi pão na vovó? A vida engole o tempo, é? O tempo não dorme, querido? Diz pra mim quando eu vou terminar aquele samba que você nem musicou? Quantos minutos ainda vão ser esmagados pelo trânsito, pelo asfalto, pela carteira assinada e pelo supermercado? Agora que tenho carimbo, diz pro tempo aceitar aquele tarja preta pra gente poder olhar pras estrelas sem medo de criar verruga?  

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Eu vi você

Querido,

Faz um tempo mesmo, eu quase não lembro. Eu quase não reconheci você. Eu quase confundi sua camisa com a do vizinho. Eu quase disse oi. Faz um certo tempo e o tempo é um bom remédio, nem dói mais. E eu pensei que nunca fosse sair do nunca e então eu me vi assim no quase. E eu quase fui embora, eu quase quis fugir, mas o tempo, ah o tempo faz com que o baticum nunca seja o mesmo. Então, meu bem, que pena, que pena que você já não é mais nem mesmo um quase para sempre. Logo você que eu pensei que nunca, nunca mesmo fosse sair daqui. Então eu te vejo e quase não te reconheço e me dou conta que meu peito nunca, nunca mais vai ter lugar teu. Querido, esse mundo é tão grande pra você quase em mim assim! Por isso eu exijo: quase-se com outro alguém.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Querido,

Há quanto tempo eu não sinto frio. Tenho saudades das suas cócegas e daquela gargalhada que só você rouba. Você devolve? Traz junto o frio na barriga? Sabia que eu perdi seu endereço? Eu me perdi. Não, dessa vez não foi no meio das minhas incertezas. Foi no viver mesmo, sabe? (Como num metrô, querido, em horário de pico) O seguir. Mas aí você foi embora e levou meu sambar. Onde você mora agora? Em que veia desse meu peito? Esquerdo? Não, meu amor, não segue o fluxo. Traz meu frio de volta e teu abraço que aquece a alma. Deixa eu me perder de novo entre as tuas linhas. Querido, faz mais um samba pra mim?



With love in her eyes and flowers in her head...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Engraçado, parece que falta alg

Bem que me disseram que hoje é quarta feira de cinzas. Queimou.